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Só sei que é assim


A série de stream Atypical trouxe uma perspectiva sobre o autismo que discute a ideia de socialização, no entanto, reforça estereótipos relacionados a interesses restritos. Na obra, a personagem Sam Gardner, cujo ator não é uma pessoa diagnosticada com autismo, é responsável por revelar ao público o mundo singular de uma pessoa diagnosticada com TEA. Diante disso, as cenas perpassam por estereótipos de comportamento, como isolamento, agressividade, hipersensibilidade, além de reforçar o interesse da personagem por pinguins, ou seja, um hiperfoco peculiar. Notadamente, a série investe na inserção da personagem no meio social, de forma que a trama se desenrola com as conquistas da personagem em termos de sair de um ambiente superprotetor para o desenvolvimento de sua autonomia. Nessa perspectiva, tenta-se quebrar o estereótipo sobre o autismo sem, necessariamente, consegui rompê-lo, por isso, é necessária uma reflexão nessa direção: sobre os nossos pensamentos sociais sobre as pessoas diagnosticadas com TEA.


Segundo uma pesquisa promovida pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SCHIMIDIT et al, 2016), o espaço escolar pode produzir situações que estimulam os sinais estereotipados de estudantes diagnosticados com TEA. Ademais ocorrem demandas sociais que podem extrapolar os limites da capacidade de tais estudantes. Por esse motivo, os professores, sem o apoio devido e a formação para a demanda, podem se deparar com situações em que trabalham com habilidades funcionais ao invés de formativas. Em outras palavras, a atividade não se desenvolve para fomentar um conceito ou incentivar a abstração, torna-se apenas uma repetição cotidiana que, com o tempo, deixa de agregar uma habilidade nova.


Ainda na direção da pesquisa (SCHIMIDIT et al, 2016), quando a comunidade escolar é entrevistada, alguns estereótipos consolidados são demonstrados. Nesse cenário, cabe avaliar, caso o leitor seja da área escolar ou docente, se há reprodução de tais ideias em ambiente escolar. Será que reproduzimos esses pensamentos?


  • Tal estudante vive em uma realidade paralela, em um mundo à parte.

  • A criança com autismo é mais quieta, por isso não é procurada por outras crianças, ela não sabe interagir.

  • Esse estudante não sabe usar o corpo para se comunicar.

  • Tal estudante tem dificuldade na fala, por isso também não consegue escrever bem.

  • Esse estudante abana as mãos, fica chacoalhando, não para quieto em sala e pode ter comportamento agressivo às vezes.

  • O estudante só consegue brincar com esse tipo de brinquedo, pode deixá-lo repetir em todas as aulas a mesma brincadeira.

  • Esse estudante só gosta de dinossauros, ele sabe tudo sobre esse assunto.


Ao reproduzirmos os pensamentos mencionados, principalmente nos espaços educativos, reforçamos a ideia de que a criança é inacessível e uma interação é impossível. A atitude subsequente é deixar a criança isolada, com atividades específicas, sob o viés de cuidado ou reforçando a ideia de que o estudante consegue alçar apenas aquele limite de interação. Como foi mencionado no início deste artigo, as artes cênicas já conseguem romper algumas barreiras sobre os conceitos socialmente estabelecidos, vale a nós a reflexão de como romper as barreiras que impedem uma verdadeira inclusão. Cenas para os nossos próximos artigos.


Referências bibliográficas


ATYPICAL [Seriado]. Direção: Joe Kessler; Michael Patrick Jann; Seth Gordon. Criadora: Robia Rashid. Estados Unidos: Weird Brain Exhibit A Sony Pictures Television, 2017. 4 temporadas, son, color.


SCHMIDT, Carlo; NUNES, Débora Regina de Paula; PEREIRA, Débora Mara; OLIVEIRA, Vivian Fátima de; NURNBERG, Adriano Henrique; KUBASKI, Cristiane. Inclusão escolar e autismo: uma análise da percepção docente e práticas pedagógicas. Revista Psicologia:Teoria e Prática, São Paulo, jan. – abr., 2016.

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