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Entender o autismo não é uma opção e sim uma necessidade

A docência nos leva a uma ideia de comunidade unificada, sabemos, enquanto docentes, que somos capazes de alcançar, pela educação, transformações incríveis, por vezes, nos sentimos incapazes de realizá-las. Por esse motivo, existem canais que apoiam as nossas dificuldades e nos ajudam a enxergar um viés que não tínhamos. Quando estamos diante do Transtorno de Espectro Autista nos deparamos com inúmeras dúvidas, porque queremos sempre fazer o melhor para o desenvolvimento e aprendizagem do estudante, no entanto, nos deparamos com ações midiáticas que deturpam a nossa ideia sobre o autismo, nos oferecendo duas possibilidades: a ideia de uma pessoa extremamente antissocial, com movimentos repetitivos, irritadiça ou aquela que é extremamente habilidosa e genial.

FONTE: Caleb Woods (Unsplash)

Injusta comparação essa, pois cada indivíduo é um universo em particular, por esse motivo, pressupor como a criança irá se comportar, como ela aturará, com uma previsibilidade infundada cientificamente, nos impede de enxergar os potenciais dos estudantes. Reconhecer esse aspecto profissional é uma tarefa árdua, pois a tendência é compararmos os indivíduos e pensarmos: “mas não deveria ser assim?”. Nessa conjuntura, apenas trancamos as pessoas em um universo particular, com a desculpa de que elas mesmas foram para lá, para seu mundo interno.


Enquanto comunidade, vamos compreendendo maneiras de interagir, de vivenciar com as pessoas as necessidades delas, sem chamá-las de escolhas. Diante do exposto, com o embasamento teórico de Silva, Gaito e Reveles (2012), vamos tentar compreender o universo da socialização, da comunicação e do comportamento das pessoas com Transtorno do Espectro Autista.


Socialização

A partir da consideração de que todo indivíduo apresenta as particularidades que constituem sua identidade, é necessário compreender que a socialização de uma pessoa pode ser dificultosa, tendendo-se ao isolamento, ou apresentar sutis sinais de inabilidade social. Essa característica não nos impede, enquanto comunidade — entendendo todos do entorno como envolvidos no processo — de aprofundar os laços com as pessoas que recebem tal diagnóstico. Afinal, devemos considerar que o isolamento não é uma opção e sim uma necessidade (SILVA, GAIATO e REVELES, 2012). Como começar a socialização? Nesse caso, é importante considerar a pessoa com quem você quer interagir, se ela tem dificuldade de olhar nos olhos, se o ambiente de socialização a inibe, com o intuito de criar uma rotina, um ambiente acolhedor, em que as falas sejam direcionadas para ela, entendendo que a manifestação de algum desconforto deve ser considerada e avaliada durante o processo.


Comunicação


Pessoas diagnosticadas com o espectro podem apresentar dificuldades de expressão por meio de palavras, como consequência podem prolongar a fase silábica; usar a 3ª pessoa na comunicação subjetiva; apresentar pouca curiosidade social; não perceber as intenções do interlocutor, demonstrar dificuldade para abstrair por exemplo. Nessa conjuntura, as falas também podem parecer desconexas, por se tratar de repetições do que foi ouvido. Além disso, há a possibilidade de fala sem a real intenção de se comunicar. Saber identificar tais aspectos, podem colaborar para um engajamento no contexto do estudante, para entender a forma como ele se comunica, não deixando de se comunicar diretamente com ele. Nesse sentido, buscar alternativas para a comunicação tende a ampliar as possibilidades de interlocução.


Comportamento


No âmbito comportamental, pessoas com autismo podem apresentar movimentos estereotipados e repetitivos, com uma possível hipersensibilidade sonora, o que conduz a uma agitação ou demonstração de um mecanismo de busca de calma, controle. Ademais, a pessoa pode estar realizando o movimento pelo movimento. Por essa razão, é necessário entender que as pessoas do espectro costumam realizar o que desejam e de maneira restrita, principalmente se estiverem inseridas em rituais e rotinas. Outra dificuldade comportamental se refere às funções executivas (SILVA, GAIATO e REVELES, 2012), apresentando dificuldade em planejar, iniciar tarefas, ter controle para continuá-las, dispensar a atenção necessária para a resolução de problemas.


Como agir?


Ao longo do artigo, é possível encontrar algumas discussões de especialistas sobre as possiblidades de ação, mas é válido relembrá-las. Para criar um ambiente familiar e acolhedor a repetição, a uniformidade, a rotina são elementos importantes. Além disso, cabe a nós, enquanto comunidade, seja ela educativa ou não, tentar compreender quais são os interesses restritos e limitados das pessoas com espectro autista, a fim de gerar um engajamento e estabelecer mais trocas. Outro ponto importante é compreender os comportamentos repetitivos, elementos involuntários, o que os faz buscar uma conexão com o entorno. A tendência ao debate, ao diálogo, resultará em uma educação ampliada e deveras inclusiva.




Referência Bibliográfica


SILVA, Ana Beatriz Barbosa; GAIATO, Mayra Bonifácio; REVELES, Leandro Thadeu. Mundo Singular: entenda o autismo. São Paulo: Fontanar, 2012.

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