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Inspiração

Somos maravilhosamente diversos e somente uma educação escolar dentro de uma perspectiva inclusiva acolhe todas as pessoas, sem exceção.

O direito de todos à educação e à escolarização é um debate que continua atual e necessário. Verifica-se , em praticamente todos os países do mundo, a existência do registro legal relativo ao acesso à educação, pois essa é uma dimensão fundamental para o exercício da cidadania. No entanto, não basta que ele seja reconhecido e legalmente inscrito, é imprescindível que o direito de todos à educação seja assegurado.

No cenário brasileiro  ainda há restrições de acesso e insucessos na aprendizagem e na permanência da pessoa com deficiência em todos os níveis do ensino. A educação voltada às pessoas com deficiência, ou seja, a Educação Especial, assegurada na Constituição Federal e em vários outros documentos normativos, ainda encontra diversos obstáculos que tornam difícil e lenta sua efetividade e sua implementação.

Frente a isso, deparamo-nos com a instigadora provocação: quais as possibilidades de vivenciar uma educação humanizadora numa sociedade assinalada por situações desumanizadoras? Parece-nos que a possibilidade está em conceber e orientar as ações pedagógicas por princípios inclusivos e valores humanizadores.

Rossato (2007, p. 216) corrobora ao inferir que: “[...] quando a educação se desumaniza, deixa de ser um processo de construção do homem, para voltar-se contra o próprio homem e tornar-se uma negação do próprio processo de educação”. Ora, não é a exclusão um processo claro de desumanização?

Educação e humanização são, portanto, inseparáveis, afinal educar perpassa, necessariamente, pela formação e (trans)formação de seres humanos, valorizando os processos de construção e mudança de cada sujeito singular, ressignificando suas potencialidades. E, nesse sentido, compreendemos que uma educação autêntica promove a dignidade e a humanização das pessoas, tornando-as capazes de se desenvolverem, pois não nascemos prontos, somos seres em processo, inacabados.

Construir processos educacionais humanizadores, significa também acreditar, confiar no ser humano, concebendo-o como um ser de possibilidades. Trata-se de entender e reconhecer o outro e, assim, ter o privilégio de conviver, compartilhar e aprender com pessoas diferentes de nós. Somos maravilhosamente diversos e somente uma educação escolar dentro de uma perspectiva inclusiva acolhe todas as pessoas, sem exceção. Na escola inclusiva aprendemos inevitavelmente uma importante e imprescindível lição: a valorização e o respeito às diferenças. Não é esse um aprendizado necessário para a construção de uma sociedade mais justa? 

Enfim, é isso o que nos inspira...a defesa e a luta , de mãos dadas com os/as colegas docentes, a favor da concretização de uma escola de todos e para todos, pois, com certeza, trata-se de uma utopia possível!

Carla Nogueira