Teatro acessível: arte, prazer e direitos – uma conversa com Paulo Sérgio Grossi
- dialogoseducacaoes
- 10 de set. de 2025
- 4 min de leitura
Em 8 de maio de 2017 foi sancionada a Lei nº 13.442 que institui o Dia Nacional do Teatro Acessível: Arte, Prazer e Direitos, celebrado anualmente em 19 de setembro. A iniciativa nasceu da campanha lançada pela ONG Escola de Gente – Comunicação em Inclusão e reafirma a arte como um direito de todos, destacando a importância da acessibilidade nas produções teatrais.
Para refletir sobre como essa lei dialoga com a prática educativa, conversamos com o professor Paulo Sérgio Grossi, educador infantil, contador de histórias e responsável por diversas oficinas de teatro no cenário cultural de Barbacena. Paulo compartilha experiências,
desafios e inspirações que mostram como o teatro pode ser uma poderosa ferramenta de transformação social.
A Lei nº 13.442/2017 instituiu o Dia Nacional do Teatro Acessível: Arte, Prazer e Direitos. Na sua visão, qual a importância dessa lei para o cenário cultural e educacional do país?
Paulo Grossi: Essa lei é muito importante porque reforça que a arte é um direito de todos. Teatro acessível não é só rampas ou legendas, é permitir que qualquer pessoa possa viver a experiência teatral. No cenário cultural, a lei ajuda artistas e produtores a pensarem na inclusão desde a criação até a apresentação. Na educação, mostra que o teatro pode ser uma ferramenta de empatia, respeito às diferenças e aprendizado coletivo.
Como professor da educação infantil e contador de histórias, de que forma você integra a inclusão e a acessibilidade nas suas práticas teatrais e oficinas?
Paulo Grossi: Procuro sempre planejar atividades que permitam a participação de todos, respeitando o ritmo e as habilidades de cada criança. Adapto jogos, uso recursos visuais, sonoros ou táteis, e incentivo a empatia entre os participantes. A ideia é que todos se sintam parte da criação, tornando a oficina um espaço de convivência e aprendizagem.
Em sua experiência, quais são os principais desafios enfrentados para garantir que crianças com deficiência participem plenamente de atividades cênicas?
Paulo Grossi: Um grande desafio é mudar a forma como adultos veem as capacidades das crianças com deficiência. Outro é a falta de recursos e estrutura adequada. Mas o maior desafio é transformar o olhar: quando vemos cada criança a partir de suas potências e não de limitações, a participação plena se torna possível.
O teatro acessível não se limita apenas ao espaço físico, mas também à comunicação. Quais estratégias você já utiliza para tornar a linguagem teatral mais inclusiva?
Paulo Grossi: Uso gestos, expressões, sons e objetos para reforçar a narrativa. Libras, legendas e audiodescrição também ajudam muito. O mais importante é envolver as crianças na criação: assim surgem soluções que tornam a linguagem do teatro acessível a todos.
A campanha “Teatro Acessível: Arte, Prazer e Direitos”, que inspirou a lei, defende a arte como um direito de todos. Como você percebe esse direito sendo (ou não) efetivado?
Paulo Grossi: Esse direito ainda está em construção. Muitas produções e espaços culturais não estão totalmente preparados, mas cada experiência acessível mostra que a arte pode ser vivida por todos. Isso reforça que cultura é também questão de cidadania.
De que maneira a prática do teatro pode contribuir para o desenvolvimento da empatia, da cooperação e do respeito às diferenças na educação infantil?
Paulo Grossi: O teatro coloca as crianças em situações de troca e convivência. Interpretar personagens diferentes desenvolve empatia, e criar cenas juntos exige cooperação. Cada criança tem seu jeito de se expressar, e todas essas formas são valorizadas, mostrando que a diversidade é importante.
Poderia compartilhar um exemplo marcante em que o teatro promoveu a inclusão e a valorização da diversidade entre as crianças nas suas oficinas ou contações de histórias?
Paulo Grossi: Em uma oficina, uma criança com deficiência visual participou da criação de uma cena. O grupo usou sons, movimentos e objetos para compor a história. Ela se destacou, porque tinha sensibilidade para perceber os sons e o ritmo. No final, todas as crianças perceberam que existiam novas formas de fazer teatro, valorizando as diferenças como potência criativa.
Como pais, professores e gestores escolares podem apoiar iniciativas de teatro acessível no contexto da educação infantil?
Paulo Grossi: Pais, professores e gestores podem incentivar a participação de todas as crianças, planejar atividades inclusivas, adaptar recursos e criar ambientes colaborativos. Os gestores podem garantir infraestrutura e capacitação da equipe. Quando todos trabalham juntos, o teatro acessível deixa de ser apenas uma ideia e se torna realidade.
Para finalizar: que mensagem você deixaria para educadores e artistas sobre a importância de transformar o teatro em um espaço verdadeiramente inclusivo, prazeroso e democrático?
Paulo Grossi: Transformar o teatro em espaço inclusivo e democrático exige sensibilidade e compromisso. Cada participante traz experiências únicas, e nosso papel é
garantir que todos tenham voz. Um teatro inclusivo promove empatia, colaboração e alegria, formando cidadãos conscientes e solidários. Por isso, invistam na acessibilidade, envolvam todos na criação e aproveitem o prazer de compartilhar a arte.
A entrevista com o professor Paulo Sérgio Grossi reforça a relevância do teatro acessível como caminho para a construção de uma sociedade mais justa e plural. A Lei nº 13.442/2017 vai além de uma simples data comemorativa: ela representa a valorização da diversidade e o reconhecimento da arte como um direito humano fundamental. Inspirados pelas experiências compartilhadas, educadores, artistas e gestores podem seguir ampliando o acesso à cultura, transformando o palco em um espaço de encontro, aprendizado e inclusão.
Texto produzido por: Jéssica Ellen do Nascimento Bernardes
Referências:
AGÊNCIA SENADO. 19 de setembro torna-se o Dia Nacional do Teatro Acessível. 09 maio 2017. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2017/05/09/19-de-setembro-torna-se-o-dia-nacional-do-teatro-acessivel#:~:text=O%20Di%C3%A1rio%20Oficial%20da%20Uni%C3%A3o,diversos%20especialistas%20discutiram%20o%20tema.. Acesso em: 21 ago. 2025.
BRASIL. Lei nº 13.442, de 8 de maio de 2017. Institui o Dia Nacional do Teatro Acessível: Arte, Prazer e Direitos. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 09 maio 2017. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13442.htm. Acesso em: 21 ago. 2025.





Nossa que entrevista bacana! Conheço o Paulo de uma das escolas em que atuo como pibidiana. Posso afirmar que ele tem muito entusiasmo e compromisso com a sala de aula. Um profissional que os alunos adoram chamar de professor ☺️.
Ver crianças sendo incluídas num projeto de teatro acessível muda tudo, elas descobrem outras formas de se expressar, de pertencer e de acreditar em si mesmas. É bonito demais ver como isso transforma vidas. Jéssica, teu trabalho dá luz a algo que deveria ser muito mais falado e isso faz toda diferença.